6 livros pouco conhecidos que basearam filmes cult


Um filme sem um bom roteiro não é um bom filme. E muitos roteiros de qualidade têm origem em livros, que se tornam adaptações fidedignas ou somente fornecem algumas bases para obra cinematográfica. Filmes cult baseados em livros não são novidade – Laranja Mecânica, Blade Runner, Clube da Luta e por aí vai –, mas algumas películas têm sua origem em obras desconhecidas, esquecidas, pouco populares ou têm poucas ligações evidentes com seus pais, mas que estão ali. Se tiver outras sugestões, deixa nos comentários lá embaixo.

1. Michael Kohlhaas, de Heinrich von Kleist

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No século XVI, o comerciante de cavalos Michael Kohlhaas tem uma vida próspera e tranquila. Mas durante uma viagem é enganado pelo barão Wenzel von Tronka e tem dois cavalos retidos e, posteriormente, roubados. Seus apelos à corte e à nobreza são infrutíferos. Quando sua esposa é mortalmente ferida, o homem reto e íntegro reacende um velho pesadelo da nobreza e do clero: as revoltas camponesas. O conto, que ganhou a primeira edição brasileira em 2014, fala sobre religião, justiça e corrupção. Já ganhou duas versões cinematográficas, sendo a última em 2013, uma competente adaptação com direção de Arnaud des Pallières e Mads Mikkelsen (Hannibal) no papel principal. O curioso é que a história se baseia em fatos reais, como indica o nome original, Aus einer alten Chronik (A partir de uma crônica antiga), e teve como protagonista o comerciante Hans Kohlhase.

2. Mygale (Tarantula), de Thierry Jonquet

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Pedro Almodóvar assinou a adaptação para as telas do livro e deu um novo nome: A pele que habito. Na trama, Richard, um cirurgião especializado em mudança de sexo e traumatizado pela morte da esposa e estupro da filha, realiza uma operação eticamente duvidosa no suspeito da agressão. Richard passa então a manter em cativeiro Eve, uma mulher de identidade desconhecida, e os dois eventualmente têm um caso.

Perdão pelo spoiler

3. Who goes there?, de John W. Campbell

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A literatura pulp fiction estava em alta na década de 30, quando teve início a chamada era de ouro da ficção científica. Um dos marcos desse período é Who goes there?, de John Wood Campbell, publicado pela Astounding Science Fiction sob o pseudônimo de Don A. Stuart. A história foi adaptada para o cinema quatro vezes, sendo a mais famosa em The thing (O enigma do outro mundo, título no Brasil), clássico de horror de John Carpenter. O livro não tem edição em português.

Encantador

É impossível assistir a The thing e não lembrar de Nas montanhas da loucura, único romance de H. P. Lovecraft, publicado pela primeira vez dois anos antes de Who goes there?. O que não é de surpreender, já que a Antártida era nos anos 30 o que Marte representa hoje, o desconhecido, o inóspito, campo fértil para obras de ficção. Mas Lovecraft influenciou Carpenter em outras obras, incluindo nos demais filmes da trilogia do Apocalipse: In the mouth of madness (lançado no Brasil como À beira da loucura, sem a referência a Lovecraft) e Prince of darkness (Príncipe das sombras).

4. O sono eterno, de Raymond Chandler

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Primeiro livro de Raymond Chandler, que inaugura o estilo do autor na literatura policial noir, O sono eterno inspirou um filme bem menos sisudo: O grande Lebowski. No livro, o detetive Philip Marlowe é contratado por um milionário velho e doente que é chantageado. O livro teve uma adaptação mais fidedigna, intitulada À beira do abismo. Mas O grande Lebowski faz um trabalho satírico que é bem interessante de assistir. No filme, um vagabundo alcoólatra e jogador de boliche é apresentado a um milionário que tem o mesmo nome – Jeffrey Lebowski. Quando a esposa deste é sequestrada, o milionário contrata o vagabundo para entregar o resgate, mas este arma para ficar com o dinheiro. O filme é marcado por diálogos extravagantes, viagens lisérgicas e uma montagem à altura.


5. O ponto de mutação, de Fritjof Capra

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Tanto o filme quanto o livro são reservados para aqueles que têm paciência e gostam de longas discussões filosóficas. Uma cientista, um candidato à presidência dos Estados Unidos e um artista, três velhos conhecidos, se encontram em um castelo medieval e passam horas discorrendo sobre física teórica, pensamento cartesiano, holística, teoria de sistemas, filosofia oriental e crises planetárias. É tão louco quanto parece, mas é bom.

O que nos leva ao próximo tópico

6. Um estranho no ninho, de Ken Kesey

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Kesey trabalhou num hospital de veteranos de guerra e reuniu suas experiências para escrever One flew over the cuckoo's nest, mais tarde adaptado para um filme dramático dirigido por Miloš Forman e estrelado por Jack Nicholson. Na história, Randle McMurphy, um detento reincidente, se passa por louco para ser transferido da penitenciária para um sanatório. Se por um lado ele se torna amigo de vários dos internos, por outro ele compra uma briga desigual com a enfermeira megera Mildred Ratched. Entretanto a história se resolve no personagem Chefe Bromden, um nativo que se passa por mudo e tem um quê de Huckeberry Finn.