Campanha de livro d'Os Mutantes reduz meta e amplia prazo


A campanha encabeçada pela fotógrafa Leila Lisboa para publicar um livro com fotos da fase mais criativa da banda Mutantes sofreu algumas mudanças. A meta, que era de R$ 100 mil, foi reduzida para R$ 70 mil, e o prazo foi ampliado para mais 36 dias de arrecadação -- o prazo anterior encerraria no início de março.

A divulgação intensa nas redes sociais e na mídia rendeu até agora pouco mais de R$ 41 mil. O tipo de campanha também foi alterado, o que permitirá a impressão do livro mesmo se a meta não for atingida. De "tudo ou nada", modalidade onde o dinheiro é devolvido em caso de fracasso, a campanha mudou para "flexível", onde o dinheiro é entregue mesmo que o valor tenha permanecido abaixo da meta.

"Todos [os] que já compraram e que vierem a comprar o livro por meio da campanha terão o livro em mãos; o livro sairá de qualquer forma", afirma Leila. Nesse caso, a campanha funciona como uma pré-venda. O prazo estimado para a entrega é para o dia 1 de julho.

Porém com a redução do valor pretendido, o livro não deve ser impresso em quantidade suficiente para distribuição em livrarias. A garantia é entregar apenas a quem contribuiu com a campanha.

O livro

A hora e a vez reúne registros fotográficos do grupo de rock psicodélico brasileiro Os Mutantes da fase considerada mais criativa -- de 1969 a 1974. Na época, Leila era namorada do baixista Liminha e acompanhava a banda. A fotógrafa relata que viveu momentos inesquecíveis com o conjunto e resolveu registrar tudo.

"A época que convivi com eles foi muito leve, divertida, inspiradora e cheia de boas lembranças. Eles eram hilários juntos", conta. O nome do livro é inspirado na música A Hora e a Vez do Cabelo Crescer, "referente a uma música muito marcante para mim", diz Leila.


Segundo ela, não houve apoio nem por parte da iniciativa privada nem do poder público para a publicação do livro, um verdadeiro memorial de parte da história do rock nacional. O projeto está na gaveta há dez anos.

"Não consegui nenhum apoio de projetos culturais do governo federal – nem chegar perto da Lei Rouanet –, estadual e municipal. As editoras não se interessaram, apoio cultural de empresas também nada, empresários menos ainda... zero. Eu banquei tudo que pude para poder ter as fotos limpas e digitalizadas, e não foi pouco", relata. "Se eu pagasse uma fortuna poderia lançar com qualquer editora", critica.