Vendas de livro indicado por Zuckerberg disparam 1000% em duas semanas

O desafio de Mark Zuckerberg de ler um livro a cada 15 dias foi lançado na fanpage A Year of Books, com mais de 240 mil seguidores. O primeiro livro indicado, "O Fim do Poder", rendeu ao autor venezuelano Moisés Naim uma grata surpresa: 13 mil cópias vendidas em pouco mais de dez dias, segundo dados da Perseus Books Group, que reúne dez editoras.


Nessa monta não estão incluídas as vendas na Amazon e em outras varejistas físicas e virtuais. A venda dos exemplares impressos em livrarias que cedem estatísticas de vendas à Nielsen BookScan atingiu 3089 unidades até o dia 11 de janeiro -- na última semana de dezembro apenas 29 cópias saíram das prateleiras, um aumento de 1055%.

No Brasil, O Fim do Poder foi publicado em 2013 pela Editora LeYa.


Compre por aqui e ajude o Livreiro

Submarino [versão impressa]


Pego de calças curtas, Naim se surpreendeu com as vendas. O título foi lançado em maio de 2013 e já era bem aceito no mercado, com 20 mil cópias vendidas em um ano e meio. Em entrevista ao El País, ele afirmou: "todo mundo sabe que o Facebook tem penetração global, mas saber disso é uma coisa e vivenciá-lo é outra". Três horas depois de Zuckerberg fundar o clube do livro virtual, os livros já estavam esgotados na Amazon e na Barnes & Noble, duas das maiores varejistas de livros do mundo.

Marta Ramoneda, responsável pelos clubes de leitura das livrarias La Central, da Espanha, lembra que o fenômeno da recomendação literária não é novo, mas ganha uma nova dimensão com o poder das redes sociais. "Equivale a ganhar o grande prêmio na Loteria", compara.

Por outro lado, essa curadoria pode concentrar ainda mais os ganhos no mercado de livros, que nem sempre remunera o autor que dificilmente remunera os autores de forma satisfatória. Enquanto Paulo Coelho se tornou um magnata suíço com seus best-sellers, escritores desconhecidos precisam de um trabalho regular em paralelo com a atividade criativa.

A iniciativa de Zuckerberg é coerente com a ambição de tornar o Facebook o curador de tudo o que as pessoas lêem, assistem e escutam. Segundo dados da própria rede social, quase 30% dos adultos dos EUA se informam a partir do que é exibido no stream de notícias, e 20% do total de tráfego dos sites informativos provém do Facebook. "Nosso objetivo é construir o jornal personalizado, perfeito para cada um. Queremos personalizá-lo para que cada pessoa veja o que é mais interessante", declarou Zuckerberg

No fim das contas, o poder não vai ter fim, como prenuncia o escritor. Apenas deve mudar de lugar.

Com informações do Publishers Weekly