Fase áurea d'Os Mutantes será documentada em livro fotográfico

imagem: Leila Lisboa | 
Os Mutantes, banda que fez história no rock brasileiro, pode ter parte de sua história publicada no livro fotográfico "A Hora e a Vez", com 130 registros. A fotógrafa Leila Lisboa Sznelwar, que acompanhou a banda durante sua fase considerada mais criativa -- de 1969 a 1974 -- iniciou uma campanha de arrecadação no site Kickante para publicar a obra.

Por um lado, é uma maneira de trazer à luz um acervo que estava engavetado e realizar um sonho pessoal. Por outro, é, talvez, a única forma de documentar a primeira coletânea de registros fotográficos de uma das bandas mais icônicas do rock [psicodélico] brasileiro.

"A época que convivi com eles foi muito leve, divertida, inspiradora e cheia de boas lembranças. Eles eram hilários juntos", conta Leila, em entrevista ao Livreiro Nômade. "Os Mutantes sempre conseguiram se colocar naquela época de maneira a continuarem a fazer boa música, com um pouco de deboche obviamente e assim conseguiram viver com alegria apesar de qualquer regime". O nome do livro é inspirado na música A Hora e a Vez do Cabelo Crescer, "referente a uma música muito marcante para mim", diz Leila.

A formação clássica da banda incluiu os músicos Arnaldo Baptista, Sérgio Dias, Liminha, Dinho Leme e Rita Lee.

Durante um período, os integrantes do grupo viveram em uma comunidade hippie na Serra da Cantareira -- onde alguns dos registros fotográficos foram feitos. Na época, Leila e o baixista Liminha mantiveram um relacionamento, de modo que a fotógrafa acompanhou a banda em várias viagens dentro e fora do Brasil. "Mantenho contato constante com eles", garante.

Mas por que publicar o livro apenas décadas depois do fim da formação original? Leila tenta há dez anos, na verdade, viabilizar o projeto. Mas não conseguiu nem por editais públicos de cultura nem junto à iniciativa privada.

"Não consegui nenhum apoio de projetos culturais do governo federal – nem chegar perto da Lei Rouanet –, estadual e municipal. As editoras não se interessaram, apoio cultural de empresas também nada, empresários menos ainda... zero. Eu banquei tudo que pude para poder ter as fotos limpas e digitalizadas, e não foi pouco", relata. "Se eu pagasse uma fortuna poderia lançar com qualquer editora", critica.

Quando conheceu o crowdfunding e viu que iniciativas sérias estavam sendo encaminhadas com recursos dos maiores interessados -- leitores, usuários e consumidores --, decidiu apostar.

A campanha teve início no último sábado (10). O livro "A Hora e a Vez" será publicado se a meta de R$ 100 mil for atingida até o dia 11 de março. É possível contribuir em três faixas de valores: R$ 90 (já esgotada), R$ 120 e R$ 999.