Leitura para quem não pode ver

imagem: lissalou66/Flickr (CC BY-ND 2.0)
No dia 4 de janeiro, comemora-se o dia mundial do Braille, sistema de escrita e leitura que proporciona cidadania e inclusão social para os cegos

Louis Braille não podia ler. Era cego desde os três anos de idade e fazia parte de uma parcela da população francesa que não estava incluída nos ideais revolucionários de liberdade, igualdade e fraternidade. Por suas mãos, a sua realidade e a de milhões de pessoas mudou em 1829, quando ele criou um sistema de leitura e escrita para deficientes visuais que acabou levando seu próprio nome. Para comemorar o dia mundial do Braille, foi escolhido o dia do seu nascimento, 4 de janeiro.



A ideia do código Braille teve início em uma técnica militar que utilizava buracos e pontos para a leitura rápida em lugares onde seria perigoso acender uma lamparina. A codificação é tão dinâmica que abarca não apenas letras, mas também notações e partituras musicais, termos matemáticos e químicos, informáticos, e outras simbologias. Além disso, pode ser decodificado rapidamente com apenas um toque da parte mais sensível do dedo indicador. A linguagem chegou ao Brasil em 1850, com o jovem José Álvares de Azevedo (então com 16 anos), atualmente considerado o patrono da educação dos cegos no país, e foi adotado oficialmente em 1954 com a criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos (hoje Instituto benjamin Constant). A atual grafia brasileira em Braille foi aprovada pela portaria 2678/02 do Ministério da Educação.

imagem: jasonpearce/Flickr (CC BY-NC-SA 2.0)

O método consiste em 6 pontos de preenchimento em alto relevo (três lado a lado) que possibilitam até 64 combinações para formar o dígito. Mas a sua importância não é apenas técnica, e sim social: de acordo com o IBGE, cerca de 6,5 milhões de brasileiros têm algum grau de deficiência visual, sendo a deficiência que mais incapacita para o trabalho, superando a motora, auditiva e mental/intelectual. A cegueira absoluta acomete 582 mil pessoas no Brasil. O sistema Braille possibilita o acesso à cultura, educação e ao conhecimento, fazendo com que pessoas inexistentes para a sociedade se tornem cidadãs de fato.

"Para as crianças e os jovens cegos, o contato com o Sistema Braille permite o conhecimento da ortografia da Língua Portuguesa e de línguas estrangeiras, além de possibilitar o conhecimento e a correta aplicação de símbolos de Matemática, Química, Física, e outros”, afirma Regina Fátima Caldeira de Oliveira, coordenadora da revisão Braille na Fundação Dorina e Membro do Conselho Iberoamericano e do Conselho Mundial do Braille. “Para os adultos, consultar  cardápios, identificar cosméticos e medicamentos, entrar e sair de elevadores com segurança são sinônimos da independência e da autonomia indispensáveis à elevação da autoestima de todo ser humano", destaca.