Universitários leem pouco e escrevem mal, diz professor

No espaço onde a leitura e o conhecimento deveriam ser mais cultivados dentro de uma sociedade, é justamente onde, por vezes, são mais vilipendiados. Monografias e trabalhos de conclusão de curso são feitos a toque de caixa sem leitura e análise sobre os temas escritos, e o resultado são trabalhos de má qualidade que pouco ou nada contribuem para a construção do conhecimento.

Segundo uma pesquisa desenvolvida pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) junto a 20 mil estudantes de nível superior em universidades federais, cada aluno lê em média de um a quatro livros por ano.

“Por meio da leitura se internalizam os mecanismos envolvidos na composição de um texto. Quem lê mal ou lê pouco não acumula conhecimentos, não dispõe do instrumental intelectual necessário à produção de um bom texto e não consegue mobilizar os recursos linguísticos que o ato de redigir exige. Seu repertório cultural fica limitado”, afirma o professor de língua portuguesa Antonio Carlos Olivieri, criador do site Página da Redação.

Para ele, o hábito da leitura e a prática da escrita são atividades que são desenvolvidas por etapas durante a vida do estudante, semelhante ao aprendizado de um idioma estrangeiro. “O primeiro passo é adquirir vocabulário e as estruturas básicas da frase nessa nova língua. Essa é uma fase, digamos assim, passiva do aprendizado e é depois dela que se passa à forma ativa, que é falar a língua estrangeira”.

A noção de vitória mediante a simples aquisição do diploma é um conceito trabalhado equivocadamente desde as bases educacionais, sobretudo privadas, no Brasil. Não se ensinam parâmetros introdutórios à pesquisa, ensino e extensão, o foco é a aprovação no vestibular por meio de fórmulas prontas. Com isso, os estudantes entram na universidade sem saber o que fazer nem o que querem. A prática da leitura é ainda menos estimulada, o que leva ao quadro de despreparo dos alunos para a pesquisa e produção de conhecimento.