Blog "Livros de Humanas" é retirado do ar sob acusação de pirataria

Mantenedor do domínio, que não se identificou, deu entrevista ao site do jornal O Globo

O debate não é novo, e deve esquentar ainda mais nos próximos anos. As novas tecnologias permitem a disseminação de informação e conhecimento em uma escala colossal, tão grande que pode-se dizer que o mundo não está pronto para isso. Em todo o planeta existem disussões sobre a publicação de obras na internet (e-books), disponibilização gratuita de trechos ou livros inteiros, direitos autorais, dentre outros [muitos] aspectos.

No final de abril, o blog "Livros de Humanas", desenvolvido e mantido por alunos da USP na plataforma WordPress, foi retirado do ar por conta da insatisfação de editores e autores cujas obras foram disponibilizadas na plataforma sem autorização legal. Apesar de ser considerado ilegal, o blog "Livros de Humanas", que estava no ar desde 2009, desenvolveu um acervo de dar inveja a muitas bibliotecas universitárias: 2.496 livros e artigos, de diversos assuntos, foram "upados".

O próprio estudante que criou o blog afirmou que é óbvio o desrespeito cometido contra a legislação, todavia a culpa seria do atraso da lei, que representaria um obstáculo ao "desenvolvimento do pensamento e da cultura do país".

A entrevista completa pode ser conferida no jornal eletrônico O Globo.

Meu posicionamento
Se eu escrevesse um livro, jogaria a versão completa online em todas as redes sociais e meios possíveis, gratuitamente. A disponibilização de arquivos online não impede e nem atrapalha as vendas dos livros em formato físico, além de contribuir para a disseminação do conhecimento. Tenho uma formação superior em universidade pública (Jornalismo) e estou cursando Biblioteconomia em outra universidade pública, o conhecimento que chegou até mim através de um investimento da sociedade eu quero transmitir como forma de investimento para a sociedade.

Os modelos de negócios que se baseiam unicamente na competitividade, foco nas vendas, relação unilateral com os clientes, enfim, "padrões fechados" (utilizando o jargão da TI) estão fadados ao fracasso. Quando o produto é desenvolvido com base em debates, contribuição de leitores, diálogo, de uma maneira cooperativa, tem muito mais chance de sucesso na atualidade do que os formatos fechados e proprietários.

O governo está com um pé atrás com relação à revisão da lei dos Direitos Autorais, demostrando um conservadorismo que não se esperava de um governo dito esquerdista. Se existe o objetivo de universalizar a leitura e o conhecimento, ampliando o acesso da população às bibliotecas, por que não elaborar uma lei que permita esse amplo acesso por outros meios? Há décadas que o hipertexto faz parte da vida de uma boa parcela da população, e essa é uma ferramenta extremamente eficaz na difusão do conhecimento, tão eficaz que é tolhida por uma lei antiquada e, hoje se pode dizer, ridícula.

Tão ridícula que as universidades a quebram a olho nu, debaixo das vistas de toda a sociedade, ao estimular a reprodução de fotocópias dos textos originais. Para os editores, faz mais sentido que os estudantes comprem livros inteiros, dos quais só aproveitarão um ou dois capítulos, a preços abusivos, mesmo isentos de impostos.

A atitude do blog "Livros de Humanas" deve ser lembrada como um marco na reação contra uma lei que já não faz mais sentido.