O jornal Rascunho, maior publicação literária independente do Brasil ainda em circulação, está realizando uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Catarse para expandir as atividades e ampliar o número de páginas. A campanha é de natureza flexível -- ou seja, mesmo se o valor arrecadado for inferior à meta, será repassado ao Rascunho -- e visa arrecadar R$ 80 mil até o dia 9 de outubro.
Veja aqui como contribuir.
"Entre outras demandas importantes, precisamos reestruturar a área comercial, investir em um novo site, melhorar nossas plataformas digitais e, o mais importante, ampliar o número de páginas", informa a campanha. O foco é viabilizar o retorno ao formato de 48 páginas.

Atualmente, o jornal conta com 32 páginas em formato beliner e uma tiragem média mensal de 5 mil exemplares. Uma parte é entregue aos cerca de 2 mil assinantes, enquanto outra parte é distribuída gratuitamente em espaços culturais, como a Livraria Arte & Letra, em Curitiba, e a Biblioteca Pública do Paraná. O Rascunho não trabalha com vendas avulsas ou em bancas.

"Há três anos tivemos um tímido aumento do número de assinantes e que se mantém estável", informou um porta-voz do Rascunho ao Livreiro Nômade. "No entanto, decidimos não reajustar os valores de assinaturas".

As recompensas beneficiam tanto os contribuintes ocasionais, que desejam apoiar o projeto sem compromisso, quanto aqueles que querem assinar ou renovar a assinatura antes do reajuste. A menor faixa de valor é de R$ 20 e dá direito a um exemplar avulso, marcadores de páginas e agradecimento nominal na versão impressa. A partir de R$ 45, o apoiador tem direito a uma assinatura semestral (seis exemplares).

O valor oficial das assinaturas pelo site é de R$ 90 (anual) e R$ 50 (semestral), pagos em única parcela.

A campanha também se estende a potenciais anunciantes, que podem conseguir veicular anúncios publicitários por meio do apoio no Catarse. Para essa categoria de apoiadores, os valores vão de R$ 2 mil a R$ 20 mil ou mais.

A entrega das recompensas está prevista para ter início no mês de novembro.

História

O Jornal Rascunho foi criado em 2000 e se mantém como o principal jornal literário independente do Brasil -- mesmo em um período em que os maiores suplementos culturais estão saindo de circulação ou migrando para a internet. Sediado em Curitiba, o Rascunho tem assinantes em todo o Brasil e circula via Correios, além do próprio website. O jornal conta com aproximadamente 40 colaboradores -- escritores, jornalistas, professores, literatos e ilustradores.
Fotografia: Renato Parada/Divulgação

A escritora, jornalista e ilustradora Elvira Vigna deixou uma obra que só deverá ser plenamente reconhecida na literatura brasileira nas próximas gerações. A notícia de sua morte surpreendeu a todos os que já conheciam e acompanhavam seu trabalho; em uma luta secreta contra um carcinoma desde 2012, Vigna escreveu seus melhores trabalhos -- entre eles sua magnum opus Como se estivéssemos em palimpsesto de putas (Companhia das Letras, 2016)-- durante a convivência com a doença.

No período, ela compareceu a eventos, trabalhou ativamente na divulgação de seus trabalhos, escreveu livros e recebeu prêmios. Por escrito, sua penúltima obra, ficou em segundo lugar no Prêmio Oceanos 2015. Em 2016, a Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) concedeu o prêmio de melhor romance a Como se estivéssemos em palimpsesto de putas. Anos antes, Vigna conquistara o Prêmio ABL de ficção, romance, teatro e conto com o livro Nada a dizer (Companhia das Letras, 2010).

Sua obra é marcada por personagens ambíguos, de caráter flutuante e uma agressividade visceral à altura da originalidade. Com sua habilidade narrativa, consegue trabalhar as perspectivas em jogo, legando ao leitor o papel ativo de identificar as meias-verdades, tergiversações e juntar os pedaços para compreender os sentimentos envolvidos na trama. Outro destaque das suas histórias é o protagonismo feminino, muito distante dos clichês.

Em evento na Biblioteca Pública do Paraná, Vigna afirmou:
Homem nenhum chega para você e diz: 'minha vida hoje está muito monótona, está ruim, eu não tenho mais adrenalina nenhuma, nada de interessante acontece, tenho uma situação banal, estou sendo massacrado por um trabalho que odeio, por uma relação em que não estou inteiro'. Ele não consegue falar disso. A noção dele de poder, ou de masculinidade, faz com que ele queira se ver, e se vender num livro, como alguém que viveu algo único, interessante, aventureiro, em que ele se tornou herói, mesmo que com o sinal trocado. Porque, mesmo com o herói da marginalidade, que vomita na Avenida São João, por exemplo, ainda é um herói. Ainda é o 'ó do bobó'.
Durante sua vida, publicou 10 romances, além de ensaios, contos, crônicas e artigos em antologias, periódicos e revistas literárias no Brasil e no exterior. Seu trabalho também inclui textos teóricos, traduções e ilustrações -- o que lhe rendeu inclusive um prêmio Jabuti em 1980.

Edições mais antigas ou esgotadas estão disponíveis gratuitamente no site da escritora. Veja aqui outros livros.
Foto: Mônica Câmara/divulgação

Foi no lançamento do livro Liturgia do fim, de Marília Arnaud, numa pomposa cerimônia no pátio da Usina Cultural Energisa, que troquei as primeiras palavras, em pessoa, com Maria Valéria Rezende. Cheguei meio sem jeito, mas ela tratou comigo como quem fala com um velho amigo. Falou desde sua curiosidade por motoboys – personagem do clássico conto "Desejo" – até a revolta com certos escritores. "O jornalista pergunta 'qual a sua rotina produtiva?' aí o cara diz 'ah, de manhã passeio pelo calçadão de Ipanema, depois escrevo, almoço, tiro um cochilo, escrevo de novo'. Aí no final do dia escreveu o quê? 'Um parágrafo'. Porra!".

A santista que abraçou João Pessoa (PB) não nega um dedo de prosa a ninguém. E assim ela fez sua carreira literária -- tardia, porém prolífica: conversando, trocando ideias e absorvendo experiências. Optou pela vida clerical, mas desempenhando ações de cunho social: trabalhou com educação popular, programas de formação de educadores, integrou a direção da Juventude Estudantil Católica e abrigou fugitivos do regime militar brasileiro. Formou-se em Pedagogia e fez mestrado em Sociologia. Viajou bastante em aviões da FAB e conheceu boa parte do Brasil.

O território da literatura não lhe era desconhecido, apesar do início tardio -- Rezende é graduada em Língua e Literatura Francesa pela Universidade de Nancy --, mas a maior fonte do seu trabalho é a experiência. Quando começou a escrever Quarenta Dias, comprou uma passagem para Porto Alegre, cenário do romance, e saiu a perguntar: "conhece um rapaz da Paraíba, o Cícero Araújo, peão de obra, que não deu mais notícias à mãe?" Poucos escritores assumem o ofício de maneira tão comprometida.

Seu primeiro livro, Vasto Mundo (2001), prenunciava a força da sua literatura ao chegar à final do Prêmio Cidade de Belo Horizonte. Em 24 de janeiro de 2004, o suplemento comemorativo dos 450 anos de São Paulo do Estadão trouxe uma série de contos selecionados sobre a cidade. Um deles era "Desejo", onde Maria Valéria narra, em um fluxo de consciência, a saga de um motoboy nordestino para encontrar uma romã na metrópole paulistana para sua companheira grávida. "Fui eu quem mandei o conto para eles", disse-me a irmã de Maria Valéria durante a cerimônia na Energisa. "Eu adoro motoboys", confidenciou, em seguida, a escritora.

A literatura de Rezende abraça os grupos excluídos, sem voz. É uma extensão do chamado religioso da autora. E é por mostrar essas faces -- em franca oposição à anódina literatura hipster e boêmia da classe média -- que as histórias contadas pela freira são tão cativantes. Confira abaixo os romances e coletâneas de contos assinados por Maria Valéria Rezende.
Livros infanto-juvenis

É provável que crescidos longe da Região Sul pouco conheçam a respeito da poeta Maria Dinorah Luz do Prado – de cujo nome emana poesia. Professora, contadora de histórias e colunista, Maria Dinorah se destacou na produção literária pensada para crianças e adolescentes no Rio Grande do Sul.

O trabalho da escritora carrega singeleza e simplicidade no linguajar arranjados em ricas e criativas construções poéticas, desde sonetos até versos livres. Os temas transitam entre imagens da infância, dramas maternos, homenagens aos filhos, crítica social e muitos outros, em geral com uma abordagem pensada para o público infanto-juvenil – o que não impede que pessoas de qualquer faixa etária desfrutem da obra.

Mas por que uma escritora e ativista cultural reconhecida por artistas do porte de Erico Verissimo, Carlos Nejar, Mario Quintana e Carlos Drummond de Andrade – além de ter conquistado vários prêmios literários em todo o Brasil – é pouco conhecida ao norte dos pampas?

"O legado cultural de Maria Dinorah é certamente muito maior do que seu reconhecimento", conta Patrícia Pitta, mestre e doutora em Teoria da Literatura pela PUCRS e estudiosa do espólio da escritora, falecida em dezembro de 2007. Pitta é organizadora da antologia Maria Dinorah Luz do Prado: que falta que ela nos faz, lançada em dezembro do ano passado. A obra reúne textos publicados, manuscritos inéditos e até fac-símiles de notas escritas à mão por Maria Dinorah. A obra foi editada a pedido dos quatro filhos da escritora: Luiz Carlos, Maria Luiza, Beto e Carmen, responsáveis pela seleção do material depositado no acervo DELFOS da Biblioteca Central da PUC-RS. A cada um foi dedicada uma seção da antologia, onde eles tiveram a liberdade de selecionar os escritos conforme a memória afetiva que guardaram da mãe.

Para Pitta, os críticos de literatura frequentemente circunscrevem Maria Dinorah ao ambiente escolar. No entanto, sua obra é vasta e não cabe nesses limites, embora ela de fato tenha se concentrado em produzir para o público local com o propósito desenvolver suas potencialidades.

"Eu me senti pequena e impotente frente à enorme quantidade de seus manuscritos", relata Pitta. A maior parte do material da escritora disponível na biblioteca jamais foi publicado. "São mais de 200 cadernos com poesias, contos, crônicas, aforismos. Textos que, entre originais e inéditos, levarão anos para serem catalogados, analisados e selecionados". Seu projeto permaneceu ativo entre 2013 e 2015, mas foi paralisado por falta de financiamento.

"O certo é sermos. O resto é covardia" (imagem: reprodução/livro)

O livro

Maria Dinorah Luz do Prado: que falta que ela nos faz tem gosto de saudade. Mesmo para quem nunca ouviu falar da escritora gaúcha, é impossível olhar para versos escritos às pressas em uma página de agenda e não sentir o punho da artista no exato momento em que ela transcrevia sua ideia. "Grande parte da obra de Maria Dinorah é voltada para o leitor infantil, contudo, a sua produção dirigida ao leitor maduro é vasta e bastante festejada", relata Pitta.

Sob a textura sensível dos versos, é possível identificar uma estrutura complexa de metáforas, ritmos, assonâncias e aliterações. Porém, longe de ser uma arte parnasiana, são poemas que acertam em cheio a subjetividade na primeira leitura, pungentes em forma e conteúdo, um casamento singular entre ética e estética. Escritos lúdicos e sérios, claramente escritos por uma alma que buscava tocar outras almas.

Várias facetas de Maria Dinorah estão presentes na antologia; é o primeiro contato ideal para aqueles que não conhecem a escritora e uma edição de colecionador para aqueles que aprenderam a ler passando os olhos pelos versos de Maria Dinorah. Crianças e adultos que nascerão no próximo século deveriam ter contato com sua obra. "O que eu depreendo da obra e da trajetória de Maria Dinorah é que ela se preocupava com o fazer literário muito claramente de duas formas dicotômicas: uma relacionada à sua ânsia existencial, que a impelia a produzir, e outra relacionada à quantidade, qualidade e validade de seu público leitor", considera a pesquisadora.

Leia abaixo alguns versos retirados do livro, que pode ser adquirido aqui.

"Eu gosto tanto de brincar de infância
que esqueço, às vezes, o apagar dos dias.
Como se a vida, a derramar distância,
fosse um brinquedo em minhas mãos vazias" (Preocupação, in Hora nua, 1980)

"Tudo quando me emburra
é uma surra.
Tudo quanto me anima
é uma rima.
Tudo quanto me enrola
é uma bola.
Tudo quanto me encanta
é uma planta.
Tudo quanto me invade
é amizade" (Tudo quanto, in Cantiga de estrela, 1984)

"Procuro
uma receita mágica.
Pra dar riso ao Janjão.
Pra farturar o pão.
Pra adoçar a lição.
Pra promover a banda,
remover quem desmanda,
coroar a ciranda.
Procuro um jeito
de ser leve e profundo.
Procuro uma criança
pra comandar o mundo" (Receita, in Coração de papel, 1986)

De maneira inesperada, Bob Dylan – nome artístico de Robert Allen Zimmerman – foi apontado como o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura 2016, mesma categoria em que concorria a brasileira Lygia Fagundes Telles. De acordo com a Academia, a escolha do cantor se deu por Dylan "ter criado novas expressões poéticas dentro da grande tradição musical norte-americana".

Premiar um músico com o Nobel considerando suas letras como produção literária é algo inédito. Dylan, cujo apelido foi inspirado no nome do poeta Dylan Thomas, tem apenas dois livros autorais publicados – um deles de ficção e outro de crônicas autobiográficas, além de antologias de suas pinturas – mas suas canções têm um respaldo poético e literário perceptível, tal como as músicas de Chico Buarque e Milton Nascimento, por exemplo.

Artista de múltiplos talentos, Dylan também é pintor e desenhista. Algumas de suas obras estão reunidas no livro The Drawn Blank Series e The Brazil Series e foram expostas no Museu Kunstsammlungen, na Alemanha, ao lado das telas de Munch e Picasso.

Infelizmente, algumas das obras referenciadas neste post estão esgotadas ou disponíveis apenas em inglês, mas devem ganhar novas edições em breve. Graças à premiação.

+ 4 livros de Bob Dylan


Tarantula

É o único livro de ficção do cantor norte-americano. Foi escrito em 1966 e publicado oficialmente em 1971. Ao Brasil, só chegou em 1986 em uma edição da Brasiliense, porém as edições mais recentes estão esgotadas; para achar o título em português é preciso catar pelos sebos literários. O livro é um trabalho de literatura experimental que mistura elementos de prosa e poesia, como o fluxo de consciência.

Crônicas, Vol. 1

Reúne crônicas autobiográficas de Bob Dylan. A ideia é que sejam publicados outros dois volumes, porém não há previsão.

The Drawn Blank Series

Antologia de desenhos e pinturas do cantor que foram criados entre 1989 e 1992 durante uma turnê; a primeira publicação saiu em 1994. Em 2006, a curadora do Kunstsammlungen Museum, Ingrid Mössinger, teve contato com o trabalho de Dylan e o convidou para realizar uma exposição no museu alemão. Foi a primeira exposição de arte do cantor. No entanto, Dylan, acostumado a mudar e mexer em seu próprio estilo ao longo da vida, não quer que a série represente todo o seu trabalho como pintor.

The Brazil Series

Após dar por concluída a série Drawn Blank, Dylan começou um novo ciclo para uma exposição em Copenhague, Dinamarca. Em The Brazil Series, o cantor explora cores e texturas que representam sua visão e sentimentos acerca do Brasil, transitando na dicotomia entre fascinação e pobreza.

+ 6 livros sobre Bob Dylan


No direction home: a vida e a música de Bob Dylan

Após um artigo no The New York Times em que apresentava o então desconhecido Bob Dylan ao público norte-americano, o jornalista Robert Shelton foi o único que o cantor permitiu que o acompanhasse durante um bom tempo. O livro fala sobre a carreira de Dylan, seus discos, traz comentários de outros músicos e depoimentos de Dylan.

A balada de Bob Dylan

Livros biográficos sobre Bob Dylan existem em profusão. Mesmo assim, poucos se repetem. Sempre existe uma faceta diferente na carreira do cantor que pode ser explorada. Em A balada de Bob Dylan, Daniel Mark Epstein apresenta quatro recortes importantes na carreira do cantor – 1963, 1974, 1997 e 2009 – que revelam sua versatilidade frente às transições de gerações e culturas.

O guia do Bob Dylan

O livro é parte de uma série britânica de obras de referência da Penguin Books sobre várias personalidades. O livro, escrito por Nigel Williamson, tem formato de almanaque e, além da biografia do músico, apresenta curiosodades, as 50 músicas essenciais e suas histórias, discografia completa e outras informações que ajudam a conhecer melhor a personalidade do cantor. Livro fundamental para fãs de longa data.

Who is that man? In search of the real Bob Dylan

Quem é o verdadeiro Bob Dylan? O renomado músico incorpora várias personas e significados, ao mesmo tempo em que se mostra discreto – Um novo Elvis, Messias do Folk, Tesouro Nacional ou apenas um Zimmerman de Minessota. O historiador, jornalista e romancista David Dalton fez um perfil à altura de Dylan a partir de depoimentos de pessoas próximas. O livro traz uma nova – ou várias – perspectivas do lendário cantor.

Forever Young

A autoria do livro é atribuída a Bob Dylan, mas sua participação se resumiu a ceder os direitos comerciais das letras para o ilustrador Paul Rogers, que se encarregou de ilustrar as canções. Não se trata de uma biografia exaustiva, mas de um tributo singelo ao cantor folk com o título de uma de suas canções preferidas.

Like a rolling stone

Outra obra de referência com dados precisos sobre a produção de Bob Dylan. O musicólogo e poeta Brian Hilton apresenta todos os álbuns, datas de lançamentos, créditos, duração de cada faixa, músicos que acompanharam Dylan nos respectivos discos, e comentários sobre todas as músicas. Sem dúvida é uma obra que ajuda a compreender o motivo pelo qual Dylan foi laureado pelo Nobel de Literatura.

+ 4 livros que inspiraram Bob Dylan


As vinhas da ira

John Steinback é um dos autores favoritos de Dylan. O músico escreveu um ensaio de 15 páginas sobre a obra-prima do escritor, As vinhas da ira. A trama se passa na Grande Depressão da década de 30 e narra a história de uma família de fazendeiros que são expulsos de terras arrendadas por conta da seca, das dificuldades econômicas e da execução de dívidas pelos bancos. A obra recebeu o National Book Award e o Pulitzer de Ficção, além de ter sido citada quanto Steinbeck recebeu o nobel de Literatura em 1962.

Trópico de câncer

Henry Miller narra em primeira pessoa, com um timbre autobiográfico, aventuras boêmias pela Paris da década de 30 enquanto aventureiro autoexilado. Por conter cenas classificadas como pornográficas, o livro foi proibido no país natal do escritor, os EUA, desde a sua publicação até 1961, quase três décadas depois. Bob Dylan, em uma entrevista à Playboy, apontou Henry Miller como o maior escritor norte-americano.

On the road

Clássico na literatura marginal da geração beat, On the road, de Jack Kerouac, inspirou artistas de vários estilos e épocas. Bob Dylan foi um deles. O livro é escrito em uma prosa espontânea, quase oral, com um estilo próximo ao fluxo de consciência e também com inspiração autobiográfica. Narra a viagem de dois amigos pelas estradas dos Estados Unidos em uma jornada repleta de jazz, drogas, sexo e bebidas. Foi escrito em 1951, mas só chegou a ser publicado pela primeira vez em 1957, após ser rejeitado por várias editoras.

Uivo

"Foram Ginsberg e Jack Kerouac quem me inspiraram", afirmou certa vez Bob Dylan. Uivo, livro de poemas de Allen Ginsberg, outro célebre escritor da geração beatnik, não decepcionou em entrar para a lista de obras censuradas. Apontado como obsceno, é o livro de poesias mais vendido da história dos Estados Unidos, atingindo em pouco tempo a marca de um milhão de exemplares comercializados.

*Agradecimentos ao jornalista André Cananéia pela ajuda na curadoria.